Ex-presidente José Sarney é internado: pneumonia em idosos pode ter outros sinais além de febre e tosse
O ex-presidente José Sarney, de 96 anos, foi internado no último domingo (13) após ser diagnosticado com pneumonia. Segundo boletim médico, o quadro é estável, com pressão arterial controlada e respiração em ar ambiente, sem necessidade de aparelhos. Ele recebe tratamento com antimicrobianos por via intravenosa e ainda não há previsão de alta.
A internação chama atenção para os cuidados necessários com a pneumonia em pessoas idosas. Nessa faixa etária, a infecção pode apresentar sintomas diferentes dos mais conhecidos, como febre alta, tosse e dor no peito.
Com o envelhecimento, o sistema imunológico e os mecanismos de defesa das vias respiratórias ficam menos eficientes. Além disso, a chamada reserva fisiológica — capacidade do organismo de reagir a situações de maior exigência — tende a diminuir.
“Com o passar dos anos, ocorre uma redução da eficiência de algumas respostas imunológicas, além de alterações na capacidade dos pulmões de eliminar secreções e partículas por meio da tosse e dos mecanismos de defesa das vias respiratórias”, explica a enfermeira Erika Chaib, especialista em Urgência e Emergência e professora do IDOMED São Luís.
Sinais podem ser diferentes
Em idosos, a pneumonia nem sempre provoca febre alta ou tosse intensa. Mudanças repentinas no comportamento e no estado geral podem ser os primeiros sinais percebidos pela família.
Confusão mental, desorientação, sonolência fora do habitual, fraqueza, dificuldade para caminhar, perda repentina de autonomia, falta de apetite e piora do estado geral merecem atenção. Também podem ocorrer falta de ar, respiração acelerada, secreção respiratória, piora de uma tosse já existente e redução da saturação de oxigênio.
“Às vezes, o que acontece primeiro é a família perceber que a pessoa não está como de costume. Isso pode ocorrer antes mesmo de se identificar um sintoma respiratório evidente. Uma mudança súbita de comportamento ou funcionalidade em um idoso pode ser um sinal de alerta”, afirma Erika.
A especialista ressalta que a ausência de febre não elimina a possibilidade de pneumonia.
Doenças crônicas aumentam os riscos
A gravidade do quadro também pode ser influenciada pela presença de outras doenças. DPOC e problemas cardíacos, por exemplo, podem dificultar a resposta do organismo à infecção. O diabetes também pode aumentar a vulnerabilidade e dificultar a recuperação, principalmente quando a glicemia está descontrolada.
Doenças neurológicas, histórico de AVC e dificuldades para engolir também exigem atenção, pois podem favorecer a broncoaspiração — quando alimentos, líquidos ou secreções entram nas vias respiratórias.
Nos casos mais graves, a pneumonia pode provocar queda da oxigenação, desidratação, alterações da pressão arterial, insuficiência renal, descompensação de doenças preexistentes e sepse.
“A idade avançada é considerada um importante fator de risco, embora ela, sozinha, não determine a gravidade da doença”, explica a professora.
Quando procurar atendimento
Em idosos, especialmente aqueles com fragilidade ou doenças crônicas, a recomendação é procurar avaliação médica diante de alterações repentinas, sem esperar pelo surgimento de todos os sintomas clássicos.
Falta de ar, respiração acelerada, dor no peito, queda da saturação de oxigênio, confusão mental recente, sonolência excessiva, dificuldade para comer ou beber, fraqueza intensa e piora rápida do estado geral são sinais que exigem atenção.
Dificuldade importante para respirar, alteração da consciência, lábios arroxeados ou deterioração rápida do quadro exigem atendimento imediato.
Prevenção
A prevenção inclui manter as vacinas recomendadas para a faixa etária atualizadas, entre elas as indicadas contra influenza e pneumococo, além de controlar adequadamente doenças crônicas, manter boa alimentação e hidratação e praticar atividade física dentro das condições de cada pessoa.
A higiene bucal e a atenção a dificuldades para engolir ou episódios frequentes de engasgo também são importantes. Higienizar as mãos e evitar contato próximo com pessoas que apresentam infecções respiratórias ajudam a reduzir os riscos.
“A pneumonia pode ser particularmente perigosa no idoso não apenas porque o sistema imunológico envelhece, mas porque o organismo passa a ter menos reserva para enfrentar uma infecção. E, muitas vezes, o primeiro sinal não é uma febre alta ou uma tosse intensa: pode ser uma confusão mental, uma fraqueza repentina ou uma mudança no comportamento”, conclui Erika.
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Internação de José Sarney, de 96 anos, chama atenção para os cuidados com a doença na terceira idade. #OMaranhaoSeInformaAqui
Fonte: Cores Comunicação




