Na era dos algoritmos, clássicos da literatura seguem formando leitores e valores
Em uma época em que crianças e adolescentes crescem cercados por telas, redes sociais e conteúdos rápidos, a literatura segue ocupando um papel essencial na formação humana. Mais do que ampliar vocabulário e interpretação, a leitura de obras marcantes contribui para o desenvolvimento da empatia, da sensibilidade e do pensamento crítico.
Para a psicóloga clínica e escolar Camila da Silva Conceição, da Legacy School, histórias que despertam emoção e identificação ajudam jovens a compreender sentimentos e a desenvolver inteligência emocional. “Quando o aluno se conecta emocionalmente com uma narrativa, ele também amplia sua capacidade de compreender o outro, elaborar sentimentos e desenvolver senso crítico”, afirma.
A pedagoga Taís Guimarães reforça que livros capazes de provocar reflexão costumam deixar marcas duradouras no processo de aprendizagem. “São obras que criam vínculo afetivo com o leitor. Quando a criança ou o adolescente se sente tocado pela história, a leitura deixa de ser obrigação e passa a ser descoberta”, diz.
Entre os clássicos que atravessam gerações, “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, segue como uma das obras mais lidas e interpretadas no mundo. A narrativa, aparentemente simples, convida à reflexão sobre vínculos, infância e aquilo que realmente importa.
Outro título sempre atual é “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway. A trajetória do pescador Santiago vai além da superação individual e aborda resistência, solidão e dignidade diante das dificuldades.
No Brasil, “O Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos, continua emocionando leitores ao retratar, com delicadeza, as dores e descobertas da infância, passando por abandono, afeto e amadurecimento.
Essas obras têm em comum a capacidade de tratar sentimentos complexos com linguagem acessível, o que facilita a identificação do leitor e amplia sua experiência de leitura.
Nesse mesmo universo, surge “A Samira e o Deserto”, de Augusto Branco, obra que apresenta uma fábula contemporânea sobre dor, empatia, recomeço e amadurecimento. A trama acompanha Arthur, um menino humilde que se aproxima de um paisagista solitário conhecido como “Velho das Areias”. Aos poucos, ele descobre que por trás da fama de homem rabugento existe Guilherme Henrique, artista da natureza que transformou os jardins da cidade em poesia.
A relação entre os dois constrói uma narrativa sobre amizade, transformação e a capacidade humana de converter perdas em aprendizado. Em meio a jardins, flores raras e reflexões sobre a natureza, o livro se apresenta como uma nova opção para leitores que buscam histórias sensíveis e reflexivas.
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Em meio à velocidade das telas, livros que tocam sentimentos mantêm papel central na formação de crianças e adolescentes. #OMaranhaoSeInformaAqui




