Suspensão europeia à carne brasileira acende alerta na pecuária de Balsas e do sul do Maranhão
A decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as importações de carne bovina brasileira e a possibilidade de o Reino Unido adotar medida semelhante aumentaram a preocupação entre produtores e exportadores do país. Especialistas alertam que o Brasil pode perder competitividade internacional caso não consiga comprovar, de forma prática e auditável, o cumprimento das exigências sanitárias dos mercados mais rigorosos.
Segundo a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, o desafio vai além das normas já existentes. “A União Europeia exige evidências concretas de conformidade sanitária, especialmente em relação ao uso de antimicrobianos e à rastreabilidade animal. Sem isso, o impacto pode ser duradouro e afetar a credibilidade do país no comércio internacional”, afirma.
Embora o mercado europeu represente menos de 6% das exportações brasileiras de carne bovina, os reflexos podem ser significativos para Balsas e o sul do Maranhão, regiões que vêm ampliando investimentos em pecuária tecnificada, confinamento e integração lavoura-pecuária (ILP).
A região se consolidou como fornecedora de gado para frigoríficos exportadores instalados no Maranhão, Tocantins e Pará. Com a perda de mercados considerados mais rentáveis e a possibilidade de restrições adicionais por parte de outros compradores internacionais, parte da produção poderá ser direcionada ao mercado interno ou para países que pagam preços menores, reduzindo a margem de lucro dos pecuaristas.
Outro ponto de preocupação é o possível desestímulo aos investimentos em sistemas integrados de produção. Em Balsas, referência agrícola no MATOPIBA, muitos produtores utilizam a pecuária como alternativa para recuperar áreas de cultivo, diversificar receitas e aumentar a rentabilidade entre as safras de soja e milho. A redução da demanda por carne destinada a mercados premium pode comprometer novos investimentos em tecnologia e produtividade.
O Ministério da Agricultura reúne informações técnicas para responder às autoridades europeias e tentar reverter a suspensão. No entanto, especialistas destacam que a retomada das exportações dependerá da comprovação efetiva de rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de toda a cadeia produtiva.
Para o setor agropecuário da região, o momento exige atenção e adaptação. Entidades e produtores defendem o fortalecimento dos sistemas de controle sanitário e rastreabilidade como medidas essenciais para preservar mercados internacionais e garantir a competitividade da pecuária brasileira nos próximos anos.
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Setor teme perda de mercados premium, redução de investimentos em tecnologia e impactos na rentabilidade dos produtores da região. #OMaranhaoSeInformaAqui
Fonte: Com informações da ELA COMUNICA




