Dia Mundial da Hipercolesterolemia alerta para colesterol alto na infância
Uma criança pode parecer completamente saudável e, ainda assim, apresentar níveis muito elevados de colesterol. Em alguns casos, a alteração é identificada em exames de sangue; em outros, pode haver sinais físicos ou histórico familiar que levantem suspeita. No entanto, a ausência de sintomas é comum e pode fazer com que o problema permaneça desconhecido por anos.
No Dia Mundial da Hipercolesterolemia Familiar, celebrado em 24 de setembro, especialistas alertam para a importância de investigar níveis muito elevados de colesterol na infância, especialmente quando há casos semelhantes na família.
A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma condição hereditária que dificulta a retirada do LDL, conhecido como “colesterol ruim”, da circulação sanguínea. Com isso, a pessoa permanece exposta a níveis elevados da substância desde os primeiros anos de vida, aumentando o risco de formação de placas de gordura nas artérias.
A forma mais comum é a heterozigótica, que afeta aproximadamente uma em cada 300 pessoas. Já a forma mais rara e grave, chamada hipercolesterolemia familiar homozigótica (HFHo), é estimada em cerca de um caso a cada 300 mil pessoas. Nesses casos, os níveis de LDL podem ultrapassar 400 ou 500 mg/dL ainda na infância.
Entre os sinais que podem aparecer estão os xantomas, depósitos de colesterol que formam nódulos ou elevações amareladas na pele, e o arco corneano, caracterizado por um anel esbranquiçado ao redor da íris. Esses sinais, porém, não estão presentes em todos os pacientes.
Por isso, o histórico familiar tem papel fundamental. Crianças e adolescentes com LDL muito elevado, principalmente quando a alteração aparece precocemente, devem ser avaliados com atenção quando existem parentes com colesterol alto ou histórico de infarto e outras doenças cardiovasculares em idade jovem.
O diagnóstico considera exames laboratoriais, avaliação clínica e histórico familiar. Em determinadas situações, o teste genético pode confirmar a alteração responsável pela doença.
A identificação de um caso também permite investigar outros parentes. Essa estratégia, conhecida como rastreamento em cascata, pode incluir pais, irmãos, filhos e outros familiares que tenham possibilidade de apresentar a mesma condição, mesmo sem sintomas.
O tratamento deve começar o mais cedo possível. Alimentação equilibrada, atividade física e outros hábitos saudáveis são importantes para a proteção cardiovascular, mas não corrigem a alteração genética. Por isso, pacientes com hipercolesterolemia familiar podem precisar de medicamentos específicos para reduzir o LDL e acompanhamento médico contínuo.
Nos casos mais graves, como algumas formas de HFHo, pode ser indicada a aférese de LDL, procedimento que remove parte do colesterol da circulação por meio da filtragem do sangue.
A principal orientação diante de níveis muito elevados de colesterol na infância é não considerar apenas alimentação e hábitos de vida. A investigação da história familiar e de possíveis causas hereditárias pode permitir o diagnóstico precoce e o início do tratamento antes do aparecimento de complicações cardiovasculares.
A genética não pode ser modificada, mas o diagnóstico precoce pode mudar a trajetória da doença, permitindo acompanhamento e prevenção ao longo da vida.
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Condição pode permanecer silenciosa por anos e aumentar o risco de doenças cardiovasculares; histórico familiar é importante para o diagnóstico. #OMaranhaoSeInformaAqui




