Maranhão registra 832 casos de leishmaniose e Balsas está entre áreas de atenção
O Maranhão registrou 832 casos de leishmaniose em humanos em 2024, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MA). Do total, 605 foram de leishmaniose tegumentar e 227 de leishmaniose visceral, formas distintas da doença que continuam sendo monitoradas pelas autoridades de saúde.
O estado é classificado pelo Ministério da Saúde como área de risco intenso para a transmissão de leishmanioses. No sul do Maranhão, Balsas aparece entre os municípios que demandam atenção prioritária, devido ao histórico de registros e à incidência da doença na região.
A leishmaniose é causada por parasitas do gênero Leishmania e transmitida pela picada de flebotomíneos infectados, popularmente conhecidos como mosquito-palha. A doença pode afetar seres humanos e animais, especialmente cães, que têm papel importante no ciclo urbano da leishmaniose visceral.
Duas formas da doença
A leishmaniose tegumentar afeta principalmente a pele e pode comprometer as mucosas. Um dos principais sinais são feridas ou lesões que não cicatrizam normalmente. Na região sul do Maranhão, os registros estão associados, entre outros fatores, à exposição em áreas rurais, de vegetação e de expansão agrícola.
Já a leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é uma forma sistêmica e potencialmente grave. O parasita pode atingir órgãos como fígado, baço e medula óssea. Entre os sintomas estão febre prolongada, perda de peso, fraqueza, anemia e aumento do abdômen. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a doença pode evoluir para complicações graves e até levar à morte.
Ambiente limpo ajuda a reduzir o risco
A prevenção começa com o cuidado com o ambiente. Segundo o professor de Medicina Veterinária Elias Victor Figueiredo, da Estácio, o mosquito-palha encontra condições favoráveis em locais úmidos, com pouca luminosidade e presença de matéria orgânica em decomposição.
Por isso, folhas, frutos, fezes de animais e outros resíduos orgânicos acumulados em quintais, terrenos e áreas próximas às residências devem ser removidos regularmente.
“Quintais com acúmulo de folhas, frutos, fezes de animais e outros resíduos orgânicos podem favorecer a presença do vetor. Não basta apenas retirar o lixo doméstico, mas manter o ambiente completamente limpo e organizado para reduzir a possibilidade de focos do mosquito transmissor”, explica o especialista.
O crescimento urbano desordenado, o descarte irregular de lixo e entulho e a existência de terrenos sem manutenção podem contribuir para a formação de ambientes favoráveis ao vetor.
Atenção no fim da tarde e à noite
O mosquito-palha apresenta maior atividade principalmente no final da tarde e durante a noite. Por isso, os tutores devem adotar medidas para reduzir a exposição dos cães nesses períodos.
Entre as estratégias de prevenção estão o uso de coleiras repelentes com ação inseticida e produtos tópicos, como os chamados spot-on, sempre sob orientação de médico-veterinário. Telas de malha fina em canis e janelas também podem ajudar a diminuir o contato dos animais com o vetor.
Sinais de alerta nos cães
Os tutores devem observar alterações como emagrecimento, perda de apetite, descamações e feridas na pele, queda de pelos, crescimento exagerado das unhas, aumento dos linfonodos, alterações nos olhos e sangramento nasal.
Entretanto, nem todos os cães infectados apresentam sinais visíveis. Por isso, diante de alterações persistentes ou quando houver exposição a áreas de risco, a recomendação é procurar atendimento veterinário e realizar os exames indicados.
O diagnóstico e o acompanhamento devem ser feitos por profissionais habilitados. A orientação é não tentar medicar o animal por conta própria.
Ações de controle em Balsas
Em Balsas, as ações de vigilância e controle envolvem diferentes frentes, incluindo testagem e diagnóstico de cães, acompanhamento epidemiológico, educação em saúde e medidas de manejo ambiental.
Outra estratégia utilizada no controle da leishmaniose visceral é o uso de coleiras impregnadas com inseticida em cães, que contribui para reduzir as picadas do vetor e, consequentemente, a transmissão do parasita.
A limpeza de terrenos e a eliminação de matéria orgânica acumulada também são medidas importantes para reduzir as condições favoráveis à presença do mosquito-palha.
A prevenção, portanto, depende da participação conjunta do poder público, dos profissionais de saúde, dos tutores de animais e da população. Manter os quintais limpos, evitar o acúmulo de lixo e matéria orgânica, proteger os cães e procurar atendimento diante de sintomas suspeitos são medidas que ajudam a reduzir os riscos da doença.
A leishmaniose é uma questão de saúde pública e o controle do vetor é fundamental para diminuir a transmissão tanto para os animais quanto para a população.
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Acúmulo de folhas, frutos, fezes de animais e outros resíduos orgânicos pode favorecer a presença do mosquito-palha, vetor da doença. #OMaranhaoSeInformaAqui
Com informações da Cores Comunicação




