Diagnóstico precoce e acesso ao tratamento ainda são desafios para pessoas com fissura labiopalatina no dia nacional de conscientização
Apesar dos avanços na medicina e da ampliação das políticas públicas de saúde, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento especializado ainda representam desafios para milhares de brasileiros que nascem com fissura labiopalatina. A data de 24 de junho, marcada como o Dia Nacional de Conscientização sobre a condição, reforça a necessidade de ampliar a informação, combater o preconceito e garantir atendimento integral aos pacientes.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 650 crianças nasce com fissura labiopalatina no Brasil. A condição, que afeta a formação do lábio e do céu da boca, vai além da questão estética e pode provocar dificuldades na alimentação, fala, audição e desenvolvimento social, exigindo acompanhamento multidisciplinar ao longo da vida.
Para muitas famílias, o diagnóstico ainda é cercado de dúvidas e inseguranças. Em alguns casos, a condição é identificada durante a gestação; em outros, apenas após o nascimento. A falta de orientação adequada nos primeiros momentos pode dificultar o acesso ao tratamento e aumentar o impacto emocional sobre pais e responsáveis.
Além dos desafios clínicos, pacientes e familiares frequentemente enfrentam preconceito e desinformação. Relatos de mães de crianças fissuradas mostram que comentários discriminatórios, julgamentos e a ausência de informações qualificadas ainda fazem parte da realidade de muitas famílias, especialmente em municípios do interior.
Especialistas alertam que o tratamento não se resume à cirurgia reparadora. O acompanhamento envolve profissionais de áreas como fonoaudiologia, odontologia, psicologia, serviço social e outras especialidades, fundamentais para a reabilitação completa e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
Nos últimos anos, o acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) avançou. Em 2025, a Lei Federal nº 15.133 passou a garantir atendimento integral às pessoas com fissura labiopalatina, incluindo cirurgias reconstrutivas e acompanhamento multiprofissional. Atualmente, o país conta com 34 serviços habilitados para esse tipo de atendimento, e o número de procedimentos realizados pelo SUS tem crescido.
Organizações como a Operação Sorriso também desempenham papel importante na ampliação do acesso ao tratamento. Presente no Brasil desde 1997, a instituição já beneficiou mais de 13 mil famílias por meio de consultas, cirurgias e programas de acompanhamento especializado em diversas regiões do país.
Apesar dos avanços, especialistas destacam que ainda há desigualdade no acesso aos serviços especializados, especialmente em áreas remotas. Muitas famílias precisam percorrer grandes distâncias para receber atendimento, o que pode comprometer a continuidade do tratamento.
Neste Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina, a principal mensagem é a de que informação, acolhimento e acesso à assistência especializada são fundamentais para garantir qualidade de vida, inclusão social e cidadania às pessoas que convivem com a condição.
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Dia Nacional de Conscientização reforça a importância da informação, do acolhimento às famílias e da ampliação da rede de atendimento especializado em todo o país. #OMaranhaoSeInformaAqui
Fonte: DePropósito Comunicação de Causas




