Falhas humanas e falta de tecnologia causam incêndios em silos, deixam prejuízos milionários e debate sobre automação
Em 2025, uma sequência de incêndios em silos graneleiros acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. Só no Rio Grande do Sul, ao menos três ocorrências de grande porte foram registradas neste ano. A mais recente, no início de outubro, em Arroio Grande, destruiu um dos silos da Cotribá, com prejuízo estimado em mais de um milhão de reais, entre grãos perdidos e estrutura danificada.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o sinistro pode ter sido provocado por combustão espontânea — um fenômeno invisível, mas devastador, que começa dentro da própria massa de grãos.
“A maioria desses incêndios não começa com uma fagulha externa. É o resultado de um processo lento de autoaquecimento, causado por manejo inadequado, falhas na aeração ou ausência de monitoramento preciso”, explica Everton Rorato, diretor comercial da PCE Engenharia, especializada em automação de armazenagem de grãos.
Rorato detalha que a combustão espontânea resulta de uma sequência previsível de eventos biológicos e químicos. Grãos com umidade acima do ideal ou mal limpos tornam-se alimento para microrganismos. Isso em conjunto com a própria atividade metabólica dos grãos gera calor, e a massa compacta atua como isolante térmico.
Sem aeração adequada, o calor não é removido, a temperatura interna sobe e ao ultrapassar 60 °C começam reações de oxidação, produzindo gases inflamáveis e risco de autocombustão. “Quando o operador percebe fumaça, o dano já está feito”, resume.
Para o professor e pesquisador Volnei Meneghetti, especialista em pós-colheita do Instituto Federal Farroupilha, a raiz do problema é conhecida: “Falha humana, sem dúvidas. Pessoal desqualificado e sistemas de termometria convencionais que dependem demais do operador”, afirma.
Segundo ele, o manejo correto em uma condição extrema exigiria transilagem ou expedir o material. “Um sistema automatizado de checagem das condições internas de temperatura e controle automático dos ventiladores de aeração poderia ter evitado o desastre, com certeza. Ele detecta o problema antes que se torne irreversível”, completa Meneghetti.
Rorato encerra com um alerta: “A tecnologia que evita o fogo também protege o lucro. Ignorar isso, hoje, é o verdadeiro risco.”
Sobre a Empresa: A PCE é uma empresa de engenharia elétrica com 20 anos de experiência, focada principalmente em automação, termometria e painéis de controle. Oferece soluções personalizadas desde o projeto até a execução da parte elétrica. Estabelecida em Panambi, RS, possui 95 funcionários e atua nos segmentos de pós-colheita, industrial no fornecimento de instalações e painéis elétricos e no setor naval.
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No Brasil em 2025 ocorreram no Brasil, incêndios que deixaram prejuízos milionários, não só pela perda dos grãos, mas por toda a estrutura. Especialistas apontam como causa falhas humanas e equipamentos desatualizados. #OMaranhaoSeInformaAqui




