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Empreendedora da agricultura familiar maranhense é finalista nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios

Há histórias que merecem ser contadas não apenas pelo prêmio que conquistaram, mas pelo caminho percorrido até chegar lá. A trajetória da agricultora Claudete Pereira de Oliveira, conhecida na comunidade do Cajupary como Gorda, é uma delas.

Finalista nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026, na categoria Produtora Rural e Artesã, Claudete leva para a disputa muito mais do que o nome do Maranhão. Leva a experiência de quem transformou um sonho construído na zona rural de São Luís em um projeto que envolve agricultura familiar, sustentabilidade, turismo, educação e geração de renda.

E talvez esteja justamente aí a maior dimensão dessa história.

Há 16 anos, quando chegou ao Cajupary, Claudete não pensava apenas em trabalhar a própria terra. O sonho, desde o início, era coletivo: reunir pessoas interessadas no trabalho rural e criar oportunidades dentro da própria comunidade.

O que começou como uma ideia foi ganhando forma no Sítio Aconchego da Gorda. Hoje, a propriedade reúne produção de ovos, cultivo de plantas medicinais, práticas sustentáveis e iniciativas de turismo comunitário.

Não foi um caminho rápido — e Claudete faz questão de deixar isso claro. Projetos que parecem simples quando apresentados como resultado quase sempre escondem anos de tentativa, espera e persistência.

“No início eu pensei que ia ser fácil, que seria igual a gente sonha: em pouco tempo, tudo realizado. Mas demorou para sair do papel.”

A frase talvez resuma uma das principais lições de sua trajetória: empreender não significa simplesmente ter uma boa ideia. Significa insistir nela até encontrar condições para transformá-la em realidade.

Um negócio que não termina na porteira

Outro aspecto que chama atenção no trabalho desenvolvido por Claudete é que o crescimento do sítio não está dissociado do desenvolvimento da comunidade.

A empreendedora participa da construção da Rota do Cuxá com Jussara, proposta de turismo comunitário que valoriza as diferentes vocações das propriedades da região. A lógica é simples e, ao mesmo tempo, estratégica: cada sítio oferece uma experiência própria, evitando que o visitante encontre sempre os mesmos produtos e atividades.

É uma maneira inteligente de transformar aquilo que poderia ser visto como limitação — a distância dos grandes centros e a estrutura mais simples das propriedades — em identidade e diferencial.

O turismo também abriu espaço para novas experiências, como visitas de estudantes em parceria com a Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e iniciativas ligadas ao turismo 50+.

Mais do que receber visitantes, a proposta é apresentar o território, seus conhecimentos e sua produção.

E é justamente nesse ponto que o empreendedorismo ganha uma dimensão maior. O negócio deixa de ser apenas uma fonte de renda individual e passa a funcionar como instrumento de valorização da comunidade.

Quando uma mulher empreende, outras também podem avançar

Atualmente, cerca de 20 mulheres participam das iniciativas desenvolvidas a partir dos projetos do sítio, de acordo com seus interesses e habilidades.

Claudete entende que esse é um dos segredos para fazer uma iniciativa coletiva funcionar: cada pessoa precisa encontrar aquilo com que tem afinidade.

“Só dá resultado quando você gosta de fazer aquilo.”

A ideia parece simples, mas revela uma compreensão importante sobre desenvolvimento local. Não basta criar projetos e esperar que as pessoas participem. É preciso identificar talentos, interesses e vocações.

No sítio, a sustentabilidade também deixou de ser apenas discurso. Energia solar, cultivo consorciado e aproveitamento da terra fazem parte da rotina. Agora, a propriedade avança na estruturação do beneficiamento de ovos e do processamento de plantas medicinais, com equipamentos destinados à desidratação, produção de óleos essenciais, trituração e embalagem.

A intenção é transformar o próprio espaço em um ambiente de aprendizado, onde visitantes possam acompanhar as etapas de produção e beneficiamento.

É uma lógica que aproxima agricultura, educação, turismo e empreendedorismo — e mostra que inovação não precisa nascer necessariamente de um grande centro urbano ou de uma empresa de tecnologia.

Às vezes, ela nasce no campo.

O prêmio é importante. A história é ainda maior

A presença de Claudete na etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios merece ser comemorada. Mas reduzir sua trajetória a uma premiação seria perder justamente o que há de mais interessante nela.

O Maranhão teve 650 inscrições nesta edição, crescimento de 48% em relação ao ano anterior, e liderou o número de candidaturas entre os estados do Nordeste. O resultado mostra que existe um movimento crescente de mulheres buscando transformar ideias, conhecimentos e habilidades em negócios.

Nesse cenário, histórias como a de Claudete têm uma função que vai além da inspiração.

Elas mostram que é possível empreender a partir do território onde se vive, valorizar conhecimentos locais e, ao mesmo tempo, criar novas oportunidades para outras pessoas.

Na etapa nacional, marcada para 17 de novembro, em Vitória (ES), Claudete estará representando o Maranhão entre empreendedoras de todo o país.

Independentemente do resultado, chegar até lá já diz muita coisa.

Diz que uma agricultora da zona rural de São Luís conseguiu fazer seu projeto ultrapassar as fronteiras da própria comunidade. Diz que o trabalho construído no campo pode ganhar visibilidade nacional. E, principalmente, diz para outras mulheres que ainda estão esperando o momento certo para começar que talvez o primeiro passo seja justamente acreditar que aquele sonho pode, sim, sair do papel.

Porque, no fim das contas, o maior reconhecimento de uma história como essa talvez não esteja apenas em um troféu.

Está nas portas que ela pode abrir para outras mulheres.

Sobre o prêmio

Criado pelo Sebrae, o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios reconhece mulheres que lideram empreendimentos em diferentes áreas. A edição 2026 contempla as categorias Microempreendedora Individual (MEI), Pequenos Negócios, Produtora Rural e Artesã, Ciência e Tecnologia e Negócios Internacionais.

A premiação conta com etapas estadual, regional e nacional. Na fase final, as vencedoras concorrem a prêmios que podem chegar a R$ 50 mil, além de oportunidades de capacitação, missão técnica e mentoria, conforme a classificação.

A cerimônia nacional está prevista para 17 de novembro, no Espírito Santo, durante o EmpoderaDONAS.

O Maranhão se informa aqui – Sebrae leva inteligência artificial a escolas de Balsas e mostra ferramentas que podem ajudar pequenos empreendedores

À frente do Sítio Aconchego da Gorda, empreendedora transforma a própria trajetória em oportunidade para outras mulheres da sua comunidade. #OMaranhaoSeInformaAqui 

Fonte: Partners Comunicação

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