“Uma das piores dores, para mim, foi ver ele levando embora aquele que era meu maior companheiro”, conta Laura (nome fictício), de 32 anos. A servidora pública, que conseguiu romper um ciclo de três anos em um relacionamento abusivo, enfrentou a angústia de perder o cachorro Bilu, adotado durante a união.
Na época, a fragilidade emocional pesou na decisão: “Eu ia morar em uma kitnet e ele voltaria para o apartamento dos pais em São Paulo, com mais espaço. Tentei discutir, mas estava tão exausta, tão fraca psicologicamente”, lembra.
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Proteção emocional
O texto chega para preencher uma lacuna legal frente à nova realidade brasileira: segundo a Abinpet, o país possui 160 milhões de pets, uma média de 2,2 animais por residência. Tratados como membros da família, esses companheiros tornam-se pontos de extrema vulnerabilidade em processos de separação, especialmente aqueles marcados pela violência.
A psicóloga Arielle Sagrillo explica que o impacto dessas rupturas vai além do fim do matrimônio. “A separação do animal de estimação não é apenas ‘mais uma consequência’ do divórcio, ela tem o potencial de intensificar significativamente o processo de luto que está sendo vivenciado”, afirma. Segundo a especialista, o pet atua como fonte de regulação emocional e estabilidade. “Quando a pessoa perde esse convívio, ela não está lidando só com o fim da relação conjugal, mas com uma dupla ruptura afetiva”, completa.
Nesse cenário, assegurar que o animal permaneça com a vítima é essencial, por sua presença funciona como um fator de proteção emocional e auxílio na recuperação da mulher. “Garantir a permanência do pet contribui para a redução do sofrimento pós-ruptura, sensação de continuidade e segurança e até mesmo reconstrução da autonomia”, aponta a psicóloga.
Proteção contra violência vicária
Ela ressalta, também, um aspecto perverso da dinâmica de abuso: a violência vicária. Para a especialista, a nova legislação dá visibilidade a esse aspecto da violência doméstica, caracterizado por manter a vítima sob controle através do uso de um terceiro, como filhos e animais.
“É importante destacar que não se trata de um comportamento isolado, mas de uma estratégia dentro de um padrão maior de dominação, que pode incluir uma série de outros comportamentos e desfechos, como por exemplo a própria escalada da violência. Reconhecer isso como violência – e não como ‘apego ao animal’ ou ‘disputa emocional’ é fundamental para uma resposta institucional adequada e uma escuta que valide essa dor”, finaliza.
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O texto, publicado nesta sexta-feira (17), garante que o animal permaneça sob guarda total da vítima. #OMaranhaoSeInformaAqui
Fonte: R7




