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Investigação aponta que o PCC construía distribuidora de combustíveis no Piauí para abastecer outros estados

A Polícia Civil do Piauí revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estava construindo uma distribuidora de combustíveis na rodovia que liga Teresina ao município de Altos, com o objetivo de abastecer outros estados.

A informação foi divulgada durante coletiva de imprensa sobre a Operação Carbono Oculto 86, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.

Ao todo, 49 postos de combustíveis foram interditados em cidades do Piauí, Maranhão e Tocantins. De acordo com as investigações, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 5 bilhões por meio de empresas de fachada e operações financeiras fraudulentas.

O secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, afirmou que o estado tem posição estratégica para o grupo, por ser a única capital localizada no interior do Nordeste.

“O Piauí é geograficamente estratégico porque tem a única capital no interior. Esse grupo estava construindo uma distribuidora na estrada para Altos, para irrigar os outros estados. Eles eram alimentados pelo braço financeiro do PCC, que estava na Faria Lima”, explicou o secretário.

Segundo o delegado Laércio Evangelista, coordenador do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o imóvel onde a distribuidora estava sendo construída foi interditado.

FRAUDES, ADULTERAÇÃO E AMEAÇA AO MERCADO

De acordo com o secretário Chico Lucas, a infiltração da facção no setor de combustíveis causou desequilíbrio no mercado e prejuízos aos consumidores, tanto por fraudes em bombas quanto pela adulteração de combustíveis.

As irregularidades começaram a ser percebidas em 2023. Três dos postos investigados possuem mais de 20 autuações na Justiça entre 2023 e 2025.

“Em outros estados, o PCC já chegou a ameaçar empresários. Aqui no Piauí, ainda não há registros de ameaças diretas, mas o grupo pressionava os donos de postos com preços mais baixos para dominar o mercado”, completou Chico Lucas.

OPERAÇÃO CARBONO OCULTO 86

A operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, considerada a maior ofensiva contra o crime organizado já realizada no Brasil.

As novas investigações apontam que empresários locais estão ligados aos mesmos fundos e operadores financeiros identificados na fase anterior.

Para mascarar os reais beneficiários, os suspeitos usaram “laranjas”, constituíram fundos e movimentaram recursos por meio de fintechs, empresas de tecnologia voltadas a serviços financeiros, repetindo o modus operandi da operação original.

O delegado Anchieta Nery, diretor de Inteligência da SSP-PI, informou que o ex-vereador e ex-secretário Victor Linhares foi um dos alvos da operação.

Segundo ele, Linhares foi orientado a abrir uma conta na fintech BKBank, conhecida como a “fintech do PCC” e já investigada pela Polícia Federal há seis meses.

“Ele recebeu um Pix de R$ 230 mil de um dos investigados, transferiu o valor para outra conta e nunca mais a acessou”, relatou o delegado.

As investigações indicam ainda que os postos controlados pela facção vendiam combustíveis adulterados e cometiam fraudes fiscais, resultando em milionárias perdas de arrecadação de impostos.

EMPRESÁRIOS E CIDADES ATINGIDAS

Entre os investigados estão os empresários Haran Santhiago, Danillo Coelho de Sousa, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani e João Revoredo Mendes Cabral Filho.

A Justiça determinou medidas cautelares contra eles, como a proibição de deixar Teresina, mudar de endereço ou se comunicar com os demais investigados. Todos deverão comparecer ao tribunal sempre que intimados.

A Polícia Civil informou que os postos interditados estão localizados nas seguintes cidades do Piauí: Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira

Cidades do Maranão: Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras

Cidade do Tocantins: São Miguel do Tocantins.

O Maranhão se informa aqui – PM recupera produtos de roubo, captura suspeito e apreende arma na zona rural de Balsas/MA

De acordo com as investigações, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 5 bilhões por meio de empresas de fachada e operações financeiras fraudulentas.  #OMaranhaoSeInformaAqui

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